O cenário tributário brasileiro nunca passou por um momento tão transformador quanto o ciclo que se inicia em 2026. A convergência entre reforma tributária, fiscalização digital, automação e inteligência artificial cria um ambiente em que o planejamento tributário deixa de ser uma prática anual e passa a ser um processo contínuo. Empresas que desejam competitividade precisarão redefinir sua visão sobre tributação, tecnologia e estratégia.
O novo contexto tributário: mais digital, mais integrado, mais rigoroso
A partir de 2026, a transição para IBS e CBS inaugura um período de convivência entre modelos antigos e novos. Essa coexistência exige atualização simultânea de regras, cadastros, processos e sistemas.
Além disso, a Receita Federal intensificou seu uso de dados e algoritmos para cruzamentos em massa, criando uma fiscalização mais veloz e precisa que impacta diretamente qualquer planejamento. Por isso, o planejamento tributário digital passa a ser requisito mínimo, não diferencial.
Como a reforma tributária influencia o planejamento digita
A reforma introduz uma nova estrutura, com regras de incidência distintas, critérios de crédito mais objetivos e obrigações acessórias redesenhadas. Com isso, empresas precisam antecipar simulações, revisar regimes e calibrar impactos financeiros.
Outro ponto essencial é a reorganização de fluxos internos, para conviver com dois sistemas, empresas precisarão revisar NCMs, CSTs, CFOPs, regimes específicos e parametrizações que, se não forem atualizadas, podem gerar inconsistências automáticas nos sistemas do Fisco.
Assim, o planejamento tributário digital para 2026 deve considerar os impactos da transição entre regimes, a revisão das bases tributárias, a reclassificação de produtos e serviços, a mudança de critérios para tomada de créditos e os ajustes estruturais em sistemas fiscais e ERPs.
1ª Tendência: Automação como base do planejamento
A automação fiscal deixa de ser ferramenta de apoio e passa a ser a camada central do planejamento. Isso ocorre porque o volume de regras, simulações e cenários aumenta drasticamente com a reforma, ferramentas automatizadas ajudam a:
- Validar regras rapidamente;
- Identificar inconsistências em tempo real;
- Reduzir erros manuais;
- Acelerar fechamento fiscal;
- Ajustar cálculos para diferentes cenários da reforma.
Empresas com automação fiscal avançada entram em 2026 com mais segurança, menos riscos e maior previsibilidade.
2ª Tendência: Dados estruturados para prever riscos e oportunidades
No planejamento tributário digital, dados tornaram-se ativos estratégicos. A qualidade da informação é o que sustenta simulações, créditos, cálculos de carga e aderência às novas regras.
Em 2026, empresas precisarão contar com cadastros saneados, integrações sólidas entre sistemas, rastreabilidade de documentos e padronização das informações entre áreas.
Dados estruturados permitem prever riscos antes que eles apareçam e identificar oportunidades fiscais que poderiam passar despercebidas em processos manuais.
3ª Tendência: Integração entre fiscal, contábil e TI como pilar de eficiência
Em um cenário tão dinâmico como o de 2026, cada vez mais fica evidente que nenhum setor consegue operar de forma isolada. Por esse motivo, a integração entre áreas se consolida como uma das principais tendências do planejamento tributário moderno.
Nesse contexto, o fiscal define as regras, a contabilidade interpreta e registra as informações, enquanto a TI viabiliza integrações e automatizações. Quando essas áreas atuam de forma conjunta, as empresas reduzem ruídos, aprimoram a comunicação e, consequentemente, passam a operar com mais consistência e segurança.
Além disso, organizações que investiram em integração nos últimos anos já apresentaram resultados superiores em auditorias, análises e revisões internas. Dessa forma, essa abordagem continuará sendo determinante para a eficiência e a conformidade tributária em 2026.
Estratégias para 2026
Revisão profunda de cadastros e parametrizações:
Antes de tudo, o primeiro passo para um planejamento tributário digital sólido é a revisão completa dos cadastros, de ponta a ponta. Nesse processo, NCM, CFOP, CST, regimes tributários, códigos e classificações precisam estar corretos, atualizados e devidamente padronizados.
Com a reforma tributária em curso, qualquer divergência pode causar impacto direto na apuração de IBS e CBS. Por esse motivo, as empresas precisam reforçar os processos de manutenção cadastral e, ao mesmo tempo, garantir que seus sistemas estejam plenamente alinhados às novas regras.
Auditoria contínua como prática obrigatória:
As mudanças tributárias e os cruzamentos eletrônicos exigem auditoria constante. Revisões pontuais não acompanharão o ritmo das mudanças.
A auditoria contínua permite corrigir falhas com antecedência, revisar créditos e débitos com precisão, ajustar regras sempre que necessário e prevenir riscos antes que se tornem autuações. Em 2026, auditoria contínua deixa de ser uma boa prática e se torna elemento estrutural.
Simulações frequentes e análise de cenários:
Com a convivência entre regimes, cada vez mais, as simulações passam a ser essenciais no planejamento tributário. Nesse sentido, as empresas precisam testar como será a carga tributária em diferentes operações, produtos, estados e modelos de negócio.
Dessa forma, essas simulações evitam surpresas ao longo do processo e permitem ajustar, de maneira estratégica, preços, margens, estratégias de compra, logística e contratos.
Racionalização dos processos fiscais:
Paralelamente, a transição de 2026 exigirá que as empresas simplifiquem fluxos, eliminem atividades manuais e adotem controles mais claros. Isso porque processos confusos geram inconsistências e, consequentemente, aumentam o risco fiscal.
Assim, a racionalização passa pela padronização das rotinas, automação de validações, revisão de responsabilidades e pela adoção de uma documentação mais precisa e alinhada às novas exigências.
Benefícios do planejamento tributário digital
Empresas que investem em planejamento digital obtêm vantagens estruturais:
- Segurança jurídica;
- Previsibilidade das operações;
- Maior aproveitamento de créditos;
- Redução expressiva de erros;
- Bases sólidas para auditorias;
- Cumprimento mais ágil de obrigações.
Esses benefícios fortalecem a governança e oferecem estabilidade para navegar na complexidade do novo cenário.
Desafios para 2026
Com a transição tributária em curso, naturalmente, surgem desafios significativos para as empresas. Entre os principais, destacam-se sistemas obsoletos, a falta de integração entre áreas, a inconsistência de dados, o baixo nível de automação e a pouca clareza processual.
Diante desse cenário, superá-los exige investimentos estruturais, capacitação técnica contínua e, sobretudo, o fortalecimento de uma cultura organizacional orientada a dados.
Conclusão
Diante desse cenário, o planejamento tributário digital se consolida como a resposta natural ao novo ambiente fiscal que se forma em 2026. Nesse contexto, empresas que combinam dados, tecnologia, automação e estratégia entram no novo ciclo com mais precisão e previsibilidade. Além disso, ganham segurança operacional e, consequentemente, tornam-se mais competitivas em um mercado cada vez mais exigente.
Redação Atvi

