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Imposto Seletivo: o que as empresas dos setores impactados precisam entender agora

Dentro da Reforma Tributária, o Imposto Seletivo é o tributo que mais divide opiniões. Para alguns setores, é tratado como um detalhe regulatório. Para outros, representa uma mudança estrutural que afeta precificação, margens, cadeia de fornecimento e estratégia de longo prazo.

O problema é que muitas empresas dos setores impactados ainda estão tratando o IS como algo a ser resolvido “quando as regras ficarem prontas”.

Mas as regras já existem. E o tempo de adaptação é agora.

O que é o Imposto Seletivo e por que ele é diferente dos outros tributos da Reforma

O IS não segue a mesma lógica do IBS e da CBS. Enquanto esses dois têm caráter geral e operam com não cumulatividade ampla, o Imposto Seletivo é setorial e extrafiscal. Isso significa que seu objetivo principal não é arrecadatório, mas regulatório: desestimular o consumo de bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Uma diferença fundamental: o IS não gera crédito para o adquirente.

Isso muda completamente a dinâmica da cadeia produtiva. Enquanto o IBS e a CBS permitem que o tributo pago nas entradas seja recuperado nas saídas, o IS se incorpora ao custo de forma definitiva. Quem compra um insumo sujeito ao IS não recupera esse valor. Ele vai direto para o custo do produto, sem compensação.

Para setores com margens apertadas ou com cadeias longas de fornecimento, esse efeito se acumula de forma significativa.

Quais setores estão no radar e o que cada um enfrenta

Atuamente, com base na legislação complementar já aprovada, os setores com maior exposição ao IS são bem definidos. No entante, o impacto dentro de cada um é bastante diferente.  

Por exemplo, bebidas alcoólicas e tabaco enfrentam um IS com alíquotas elevadas, o que pressiona diretamente a precificação ao consumidor final e pode alterar a competitividade entre marcas e segmentos de preço. Além disso, para distribuidores, o impacto também é relevante, especialmente em operações com estoques formados antes da vigência plena.  

Para combustíveis fósseis e mineração, a discussão vai além do tributo em si. O IS funciona como um sinal regulatório sobre o modelo de negócio. Empresas desses setores que não integrarem a variável tributária ao planejamento estratégico tendem a tomar decisões de investimento sem considerar um custo que vai crescer ao longo dos anos.

Já para fabricantes de veículos e embarcações movidos a combustíveis fósseis, o IS pode acelerar decisões sobre transição para tecnologias mais limpas, não por convicção ambiental, mas por pressão de custo.

O impacto que aparece primeiro: precificação

O efeito mais imediato e mais concreto do IS é na precificação.

Como o tributo não gera crédito, ele é absorvido integralmente pela cadeia. Quem não repassar o custo ao preço de venda vai comprimir margem. Quem repassar vai enfrentar a reação do mercado. Em ambos os casos, a decisão precisa ser consciente, baseada em dados e alinhada com a estratégia comercial.

O problema é que muitas empresas ainda não recalcularam seus preços considerando o IS. Isso significa que estão operando com uma premissa de custo que já não é mais válida.

E quanto mais tempo passa sem esse ajuste, mais difícil fica fazer a correção sem impacto perceptível pelo mercado.

O que muda na operação fiscal

Além do impacto financeiro, o IS traz complexidade operacional que não pode ser ignorada.

Apurar e escriturar o IS exige processos específicos, distintos dos demais tributos. Em um ambiente onde IBS, CBS e os tributos ainda vigentes já coexistem, adicionar o IS sem estrutura própria aumenta o risco de erros, inconsistências e retificações.

As parametrizações nos sistemas fiscais precisam ser revisadas. Produtos sujeitos ao IS precisam de classificação correta, base de cálculo adequada e tratamento distinto nas escriturações. Nada disso acontece automaticamente quando as empresas atualizam seus sistemas para o IBS e a CBS sem considerar o IS separadamente.

E há ainda a questão das obrigações acessórias. O IS vai gerar novos campos, novos registros e possivelmente novas declarações. Equipes que não foram capacitadas para lidar com esse tributo tendem a tratar essas entregas como extensão das obrigações já existentes, o que é uma abordagem inadequada. 

Por que a incerteza regulatória exige monitoramento ativo

O IS é um dos tributos da Reforma com mais partes ainda sendo definidas. Atualmente, alíquotas setoriais, lista de produtos sujeitos ao tributo e regras operacionais específicas ainda dependem de regulamentação complementar.

Diante desse cenário, isso não é desculpa para esperar. Pelo contrário, é motivo para monitorar.

Empresas que acompanham de perto as publicações do Comitê Gestor, as resoluções da Receita Federal e as discussões legislativas conseguem antecipar mudanças com tempo hábil para ajustar processos, rever estratégias e capacitar equipes. Em contrapartida, empresas passivas acabam sendo pegas de surpresa.

Além disso, o custo de uma surpresa regulatória na precificação supera, em grande parte dos casos, o investimento necessário em monitoramento.   

O que as empresas precisam fazer agora

Não existe uma lista única que serve para todos os setores. O ponto de partida depende do grau de exposição ao IS e do nível de preparação atual de cada empresa. Mas alguns movimentos são comuns a praticamente todos: 

  • Mapear quais produtos, operações e etapas da cadeia estão sujeitos ao IS com base na legislação já aprovada
  • Avaliar o impacto real na estrutura de custos e recalcular a precificação considerando a ausência de crédito
  • Revisar as parametrizações fiscais nos sistemas para garantir que o IS seja apurado e escriturado corretamente
  • Estabelecer rotina de monitoramento regulatório específica para o IS, com responsável definido
  • Alinhar as áreas fiscal, financeira e comercial sobre os impactos já conhecidos e os que ainda estão por vir
  • Incorporar o IS ao planejamento estratégico, especialmente em decisões de investimento e desenvolvimento de produto

Imposto Seletivo como sinal estratégico, não apenas tributário

Há uma dimensão do Imposto Seletivo que vai além da operação fiscal e que, cada vez mais, as empresas mais maduras já estão considerando.

Em outras palavras, o IS funciona como um sinal claro de direção regulatória. Setores com alta incidência do tributo estão sendo sinalizados pelo Estado como áreas de consumo que se quer desestimular. Por isso, as implicações vão muito além do próximo ciclo de apuração.

Dessa forma, para empresas que operam nesses setores, decisões de investimento, desenvolvimento de novos produtos, posicionamento de portfólio e até estratégias de M&A passam a considerar o IS não apenas como um custo fixo, mas também como uma variável que tende a crescer ao longo do tempo.

Portanto, ignorar essa dimensão é, na prática, planejar o futuro com uma peça faltando. 

Conclusão

O Imposto Seletivo não é mais um tributo na lista da Reforma. Na prática, para os setores impactados, ele representa uma mudança estrutural com consequências que atravessam preço, margem, operação e estratégia.

Nesse sentido, empresas que mapeiam sua exposição, ajustam processos e incorporam o IS ao planejamento saem na frente. Isso porque não se trata de encontrar formas de pagar menos, mas sim de tomar decisões com base em informação completa e atualizada.

Por outro lado, as empresas que esperam a regulamentação completa para agir tendem a chegar tarde, além disso, com menos opções e maior custo de adaptação.  

    

Redação Atvi

  1. Receita Federal do Brasil – Legislação complementar do Imposto Seletivo
  2. Ministério da Fazenda – Setores sujeitos ao IS e alíquotas previstas
  3. Comitê Gestor do IBS – Regulamentação do período de transição
  4. CNI – Impactos setoriais da Reforma Tributária nas indústrias brasileiras

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